A transição para um veículo 100% elétrico é acompanhada por uma promessa irrecusável: uma redução drástica nos custos diários de deslocação quando comparados com o gasóleo ou a gasolina. No entanto, o valor final pago por cada 100 quilómetros percorridos depende, em grande medida, de onde e como escolhe carregar o seu automóvel.
Em Portugal, a disparidade de preços entre o carregamento doméstico e a rede pública (MOBI.E) pode fazer com que o custo da mesma energia varie até quatro ou cinco vezes.
Analisamos os números reais e explicamos a diferença de custos para ajudar a otimizar a sua carteira.
1. Carregamento Doméstico: A opção indiscutivelmente mais barata
Para a grande maioria dos proprietários de veículos elétricos, a tomada de casa é a principal “bomba de gasolina”. É aqui que se consegue a maior margem de poupança.
O impacto das tarifas de eletricidade
O custo de carregar em casa depende do tarifário contratado com a sua comercializadora. A escolha da tarifa faz toda a diferença:
- Tarifa Bi-horária ou Tri-horária (Período de Vazio): Programar o carregamento para decorrer durante a noite (habitualmente entre as 22h e as 08h) permite aproveitar os valores mais baixos de eletricidade em Portugal. Em 2026, o preço do kWh no período de vazio ronda os 0,10 € a 0,14 €/kWh (já com impostos e taxas de potência aplicáveis).
- Tarifa Simples: Apresenta um custo constante ao longo das 24 horas, fixando-se em média nos 0,16 € a 0,20 €/kWh.
Caso prático em casa
Considerando um consumo médio de 15 kWh aos 100 km (típico para um modelo compacto elétrico):
- Na tarifa bi-horária (em vazio): Percorrer 100 km custa entre 1,50 € e 2,10 €.
- Numa carga completa de uma bateria média de 60 kWh: O custo total fica entre os 6,00 € e os 8,50 €.
2. Rede Pública (MOBI.E): Conveniência com preços mais elevados
Quando precisa de carregar na rua ou em viagens mais longas, a estrutura de custos altera-se significativamente. Em Portugal, a fatura num posto público soma o valor da energia, a margem do comercializador (CEME), a taxa do operador do posto (OPC) e as taxas estatais.
Os preços variam bastante consoante a velocidade do posto:
- Carregadores Lentos e Semirrápidos (AC – até 22 kW): Encontrados em centros comerciais, parques de estacionamento e vias públicas. O custo médio situa-se entre os 0,30 € e os 0,45 €/kWh.
- Carregadores Rápidos e Ultra-Rápidos (DC – 50 kW a 150+ kW): Localizados maioritariamente em áreas de serviço de autoestradas. O valor pode oscilar entre os 0,45 € e os 0,75 €/kWh.
Caso prático na rede pública (H3)
Usando a mesma média de 15 kWh aos 100 km:
- Num posto lento/semirrápido (AC): Fazer 100 km custa cerca de 4,50 € a 6,75 €.
- Num posto rápido em autoestrada (DC): Os mesmos 100 km sobem para um intervalo entre os 6,75 € e os 11,25 €.
Tabela Comparativa de Custos (H2)
| Local / Tipo de Carregamento | Custo Médio por kWh | Custo Estimado (100 km) |
| Casa (Bi-horário / Vazio) | 0,10 € — 0,14 € | 1,50 € — 2,10 € |
| Casa (Tarifa Simples) | 0,16 € — 0,20 € | 2,40 € — 3,00 € |
| Rede Pública (AC – Lento/Médio) | 0,30 € — 0,45 € | 4,50 € — 6,75 € |
| Rede Pública (DC – Rápido) | 0,45 € — 0,75 € | 6,75 € — 11,25 € |
| Carro equivalente a Gasóleo (5,5L/100) | — | 10,50 € — 12,00 € |
Conclusão: Qual é a melhor estratégia? (H2)
A verdadeira rentabilidade do carro elétrico assenta numa rotina mista inteligente.
Para a utilização do dia a dia, a regra de ouro é carregar em casa durante a noite, garantindo o menor custo por quilómetro do mercado. A rede pública deve ser encarada essencialmente como uma ferramenta de conveniência para viagens longas ou situações pontuais onde a rapidez de carregamento se sobrepõe ao fator preço.